O Máskara
O desenho do Máskara conta a história de um sujeito tímido e desajeitado chamado Stânley. Stanley se sente um fracassado em todas as áreas da sua existência, até o dia em que encontra uma estranha máscara mágica que vira sua vida ao avesso. Além de conceder-lhe incríveis poderes, a máscara faz com que Stanley perca totalmente suas inibições comportamentais, tornando-se um super-herói espalhafatoso, descontrolado e imprevisível.
Assistir ao desenho do Máskara nos faz lembrar que de uma forma ou de outra todos nós usamos máscaras de vez em quando. Isso acontece porque ninguém se revela exatamente como é. As pessoas usam máscaras pra se mostrarem “melhores” do que são. Às vezes comemos coisas que não gostamos nem um pouco, só pra não fazermos desfeita diante de um jantar para o qual fomos convidados. Outras vezes apertamos as mãos de pessoas que antipatizamos, com o único intuito de parecermos educados. E assim, de máscara em máscara a vida em sociedade se torna tolerável e meio superficial.
Mas há algo de diferente na história do Máskara. Enquanto na vida real nós usamos máscaras pra escondermos motivações e comportamentos “indesejáveis”, ao usar a máscara mágica o Stanley acaba mostrando tudo o que há dentro de si sem qualquer tipo de inibição. Então, em vez de inibir comportamentos, a máscara do Stanley os amplia e liberta cada um deles. É como se a máscara mágica mostrasse ao mundo o verdadeiro Stanley, um Stanley visto com lente de aumento e desprovido de toda espécie de pudor. Paradoxalmente, é usando uma máscara que ele se liberta de todas as suas máscaras.
Sabemos que as máscaras muitas vezes tornam as relações falsas e superficiais. Mas também não podemos negar que em muitas ocasiões elas fazem com que a convivência mútua seja administrável e até prazerosa. O ideal seria se conseguíssemos equilibrar uma postura de transparência e respeito com relação às demais pessoas. Mas como o ser humano é imprevisível e interesseiro por natureza, algumas regras foram criadas e ditadas como normas de conduta a serem seguidas.
O Máskara não segue essas normas. Por isso muitas vezes é tido como louco e irresponsável, apesar de ser um herói. Viver sem nenhum tipo de máscara é dizer tudo o que se pensa e fazer tudo o que se quer. E essa é a essência da anarquia. Essa é a essência do Máskara.
Por Glenio Cabral / gclsilva@hotmail.com
