Complexo de Olívia Palito
Dia desses estava assistindo a um desenho do Marinheiro Popeye, quando a namorada dele, a Olívia Palito, me chamou a atenção. O fato daquela magricela ter atraído a minha atenção me intrigou, porque a Olivia não é nenhum explendor de beleza. Na verdade ela é totalmente desprovida de quaisquer curvas ou sinuosidades. A mulher mais parece uma reta ambulante. Então, o que me chamou a atenção nela? Pela primeira vez eu havia notado algo “diferente” em seu comportamento. Vou explicar melhor.
Nos desenhos do Popeye, a Olívia é disputada pelo Brutos e pelo marinheiro. Ambos vivem brigando pelo amor da Olívia Palito. A paixão do Brutos, no entanto, é expressa de uma maneira mais brutal ( não é trocadilho), mais carnal mesmo. Ele vive tentando beija-la à força, o que demonstra sua libido selvagem. Já a paixão do Popeye é expressa de maneira mais suava, mais romântica. O que temos aqui é uma mulher disputada por dois homens com perfis totalmente diferentes. E o mais interessante de tudo é que ela incentiva essa disputa. Lembro-me de um episódio em que a Olívia arrastou suas asas para o Brutos só porque ele tinha um carro bacana, e o Popeye não. Ao final da trama, Popeye acabou conseguindo comprar um carro melhor ainda, e adivinha o que a Palito fez? Pois é, arrastou suas magricelas asas interesseiras para o marinheiro. Ela sempre faz isso. Pula de um lado para o outro, conforme o que lhe for mais conveniente. Particularmente, acho que a Olívia se enquadra em alguns mitos preconceituosos que muitas vezes são atribuídos ao comportamento feminino. Um desses mitos diz que as mulheres preferem os homens maus, os vilões, aqueles que são grosseirões, porque esses seriam os machos com “M” maiúsculo. Nesse sentido, o Brutos levaria muita vantagem sobre o Popeye, pois ele é mau, é bruto, é selvagem. Mas por outro lado, a Olívia não quer perder o que lhe dá segurança e conforto. Assim, segundo alguns mitos preconceituosos referentes ao comportamento feminino, apesar de preferirem os caras maus, as mulheres também não abririam mão de terem aos seus pés os caras “bons”, porque os caras “bons” são bem vistos, bem quistos e respeitados na sociedade. E ela precisa das duas coisas: do selvagem e do bonzinho. O selvagem atende às suas expectativas sexuais. O bonzinho às suas expectativas sociais. Mitos preconceituosos, mas presentes na Olívia Palito.
Nessa história toda, o Brutos e o Popeye são as grandes vítimas. Sofrem por não entenderem que estão apostando as suas fichas em uma mulher que se diverte às suas custas, e que está se lixando para os seus sentimentos ou expectativas. Por isso, talvez a grande mensagem do desenho do Popeye não seja a importância que comer espinafre tem pra nossa saúde. Talvez a mensagem principal do desenho seja que o amor de fato é cego. E no caso do Popeye, é caolho.
Por Glenio cabral / gclsilva@hotmail.com
